6.5.08

Mãe Preta

Isaura Bruno (1916-1977) em O Direito de Nascer (TV Tupi - 1964/65)

O sucesso da novela O Direito de Nascer se deveu a uma poderosa empatia produzida com o público ainda nos primeiros anos da televisão no Brasil quando estreou em dezembro de 1964, oito meses depois do golpe militar.

A telenovela foi baseada num melodrama cubano com a história se passando nos anos 20 em que um menino branco é abandonado pela mãe seduzida, e que por pressão de seu pai teria que abandoná-lo por este não aceitar um neto herdeiro ilegítimo.

Para proteger o recém-nascido da adoção por estranhos a empregada negra da família Maria (Mamãe) Dolores foge com ele e o cria como seu filho até sua formatura.

Entre outros contornos do melodrama, o seu sucesso provavelmente se deve a uma "conexão secreta"(1) existente entre sua história e o próprio drama vivido pela sociedade brasileira e por extensão, típica aos povos colonizados nas Américas.

O segredo de tal "conexão secreta" está provavelmente no subtexto deste melodrama que representa o mito da Mãe Preta e que estava presente no cotidiano e no imaginário colonial ultrapassando no tempo a era moderna perdurando ainda hoje na figura e no ideal da empregada doméstica.

Representada como mito a figura da Mãe Preta se inscreve na esfera do sagrado e serve tanto para naturalizar um papel servil para a mulher negra como apresentar-se como tradição, crença, não-razão no espaço do senso-comum.

O mito da Mãe Preta se torna um legado cultural para os povos colonizados por portuguêses e espanhóis e também por outros povos europeus como se produziu nos Estados Unidos a Mammie, que retratada em "E o vento levou..." influenciou através do cinema as massas que passam então a serem moldadas pela televisão via telenovelas.

Referências:
(1) Citado em A Negação do Brasil: O negro na telenovela brasileira/Joel Zito Araújo, Ed.Senac -SP, 2000. *
Foto e mini-biografia de Isaura Bruno: In Memorian ,

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4 comentários:

radiomamaterra disse...

apropriadíssimo se falar deste assunto nos 120 anos da abolicao.
axé
romao

Memória Lélia Gonzalez - Continente África disse...

Belíssima conexão, José Ricardo. Vejo que o livro de Joel Zito está fazendo sucesso em suas mãos e em sua mente. Axé! :-) Ana

Adroaldo Bauer disse...

Precisa análise. Necessária avaliação. Bom trabalho, malungo!

Unknown disse...

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