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17.4.11

Charge racista? Macaco Obama?

Autor de charge racista tenta se defender dizendo que não é o que parece.


"À primeira vista, a charge causa espanto, porém, como eu já conhecia o cartunista Solda e admirava seu trabalho, fique com a pulga atrás da orelha e resolvi correr atrás de respostas. Fui até seu perfil no Facebook e perguntei se ele não gostaria de dar sua opinião sobre a polêmica. Reproduzo abaixo sua resposta que ele postou em meu Facebook e autorizou que fosse publicada em meu blog.
"Leonardo: jamais fui preconceituoso nem racista e não gosto desse tipo de gente. Coloco aqui o comentário do chargista Marco Jacobsen: O preconceito e o racismo ficaram por conta do ignorante que postou essa imbecilidade! E esses comentários carregados de preconceitos com quem mora no sul? Uma estupidez só! [aqui ele comenta sobre o que meus amigos disseram no Facebook] Essa turma não sabe ler?
A charge não é racista, gente. Fica claro que o macaquinho (figura simpática) que está fazendo o gesto “banana”, é uma referência à resistência às propostas comerciais indecentes que os americanos nos fazem há décadas. Oferecer uma “banana” aos americanos, não tem nada de racismo e sim um protesto bem brasileiro (seja ele de qual região for). O senhor Paulo Henrique Amorim, é responsável por achincalhar a o caráter ilibado deste que é um dos maiores artistas gráficos do país. Embora este senhor não tenha se manifestado de forma clara, publicar um post com o título: “Jornal Paraná Online publicou hoje charge racista com desenho de um macaco e com os dizeres...” é induzir a todos os leitores a tirar uma conclusão precipitada e burra. Manifesto aqui minha indignação e desprezo por todos que viram uma ilação racista na charge. Pois pra mim ficou claríssimo que o racismo está embutido na cabeça dessas pessoas mesmo que induzidas. Acho que o cartunista deveria processar o jornalista, o site e todos os que o acusam injustamente de racismo."
(Os grifos são meus)

Fontes: http://leonardoaraujo00.blogspot.com/2011/03/resposta-de-solda.html

28.3.11

Barack Obama - um mensageiro da verdade

Camisetas com a foto de Obama num mercado popular sem apologia do Império EUA 

Elias Sampaio*

O quadragésimo quarto Presidente dos Estados Unidos da América esteve entre nós no ultimo final de semana. Além de um momento bastante emblemático – as vésperas do 21 de março – sua visita possui, também, um significado muito importante para o povo brasileiro, os negros em particular.

Com efeito, a chegada de Obama a Casa Branca em 2008, representou um divisor de águas nos debates sobre as relações raciais nos EUA e no planeta. Sua trajetória até ali trouxe uma questão extremamente incômoda para nós brasileiros: como explicar que num país onde os negros são minoria absoluta da população e onde o racismo pode ser explicitado politicamente conseguiu pavimentar de maneira orgânica o percurso de um negro ao posto de maior liderança da nação?

Compreender a importância desse fenômeno aparentemente paradoxal, é condição necessária para se dar um salto qualitativo em tudo que vem sendo historicamente discutido nas relações raciais no mundo e no Brasil, em particular.

Além da noção do racismo como ideologia que estruturou as relações sociais no nosso país, os brasileiros em geral e os negros em particular, devem começar a refletir sobre a necessidade de introduzir no debate e nas suas ações na luta anti-racista, valores que podem – em primeira instância – não ter nada a ver com as questões raciais stricto sensu.

Ou seja, em hipótese alguma devemos associar o fato dos EUA terem um presidente negro a uma súbita conscientização daquele povo quanto ao credo na igualdade racial, na diminuição da intolerância, ou numa tendência a uma maior aproximação da América com o continente africano.

Na verdade, além da perspectiva liberal intrínseca ao pensamento médio do povo americano, a escalada de uma pessoa como Obama ao poder tem a ver com o nível de participação comunitária, político partidária, político eleitoral, na educação, na cultura, nas ciências e nas artes que não foram abstraídas dos objetivos estratégicos da sociedade americana apesar de seu racismo explicito.

Isto é, o exemplo dos EUA nos parece demonstrar que em sociedades multireferenciadas do ponto de vista racial, a apropriação de elementos institucionais diferentes daqueles relacionados às referências étnicas originais dos diferentes grupos sociais, são instrumentos que podem possibilitar uma real disputa contra-hegemônica.

Significa dizer que, a ênfase na identidade racial como mote da disputa política representa apenas um estágio de um complexo processo de luta pelo poder, podendo ou não, trazer vantagens ou ganhos econômicos e sociais de mesma magnitude. Nesse contexto, observamos que as particularidades da formação do povo americano serviram como catalisador para os negros daquele país no sentido da aceleração do seu processo de apropriação dos instrumentos daquilo que, desde os anos de 1930, Gramsci chamou de americanismo e que se tornaria comum a negros e brancos, concorrendo, ambos, para a hegemonização do seu modelo de sociedade para o mundo.

Assim, o fator Obama deve trazer conseqüências mais profundas para os negros do resto do mundo, do que para os próprios negros americanos à medida que, paradoxalmente, o efeito simbólico deste fenômeno se dará de maneira mais forte no inconsciente coletivo das sociedades onde os “valores genuinamente americanos” são menos arraigados.

No caso brasileiro por exemplo, a simples presença de Obama, Michele e suas duas filhas,todos negros, lindos, elegantes e sofisticados, descendo as escadas do Air Force One, um dos símbolos de poder americano mais difundidos no mundo, deve ter causado sentimentos controversos na cabeça do brasileiro médio que ainda insiste em crer numa democracia racial que só tem validade em sua própria cabeça e desde que os negros permaneçam, na sua grande maioria, nos níveis mais baixos da sociedade, servindo-os de preferência.

Só isso nos parece explicar, por exemplo, a reação militante de racistas travestidos de pseudo democratas em criticas e intervenções institucionais com o objetivo de evitar os avanços das políticas públicas anti-racistas e de carater afirmativo que vem avançado no Brasil a partir do governo Lula. Para esses a visita da família Obama apresenta uma verdade com um gosto amargo de uma realidade que pode se aproximar para o Brasil.

Artigo publicado em "Mundo Afro" blog do jornal baiano A Tarde.
*Mestre em Economia e Doutor em Administração pela UFBA. Professor de Políticas Macroeconômicas da Uneb. Diretor Presidente da Prodeb.

22.3.11

O funk do Obama no passinho "prá que lado eu vou?"

O Globo (22/3) publicou  uma execelente fotografia política - vale ouro o 'faro' do fotógrafo - que revela senão a indecisão ao menos a 'arapuca' política em que Barack Obama se meteu com sua autorização de intervenção na Líbia contra Kadafi
A foto foi feita ao pé da escada do avião de partida do Rio de Janeiro ao final da sua visita ao Brasil. Obama foi acometido daquela sincope rítmica que também acometeu Jânio Quadros numa época crise política numa fotografia também famosa..

20.3.11

Discurso de Barack Obama no Rio de Janeiro

Na sequência de vídeos o discurso de Obama feito no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 20 de março de 2011.

De improviso, sorriso largo e simpático Obama tentou entrar no "clima desconstraído" da cidade do Rio de Janeiro e mandou um "alô" para a platéia fazendo a abertura em português.

http://globonews.globo.com/videos/v/rj-obama-e-muito-aplaudido-quando-entra-no-theatro-municipal/1464710/



Obama procurou fazer um discurso de proximidade, íntimo sem ser invasivo, protocolar sem ser frio. Não é um discurso de massa, mas serve como um discurso para a massa. Ficam faltando uma profussão de "lembrancias" comemorativas da visita de Obama ao Brasil como uma caneca para um bom café da manhã ao começar uma jornada de trabalho ou de estudos para um afrodescendente ou um brinde com a Michelle Obama dos sonhos.

http://globonews.globo.com/videos/v/obama-diz-que-brasil-e-exemplo-de-transicao-para-a-democracia-e-elogia-dilma/1464722/



Obama faz da defesa da democracia o elo político entre o Brasil e os EUA e as lutas que neste momento ocorrem no oriente médio e no norte da África protagonizada por uma maioria de jovens ansiosos pela modernidade Ocidental.

http://globonews.globo.com/videos/v/obama-fala-sobre-conflitos-no-oriente-medio/1464721/



Para Obama, Brasil e EUA tem muitos pontos pontos em comum e cita Paulo Coelho para dizer que podemos intervir no que parecia ser um destino, um fatalismo conformista. Talvez nestas distantes metáforas poderíamos extrair algo que servisse de estímulo à autoestima dos afrodescendentes brasileiros. "Vão à luta!" Aliás, totalmente coerente com o espírito do capitalismo,

http://globonews.globo.com/videos/v/barack-obama-diz-que-acredita-num-futuro-melhor-para-brasil-e-eua/1464724/



O futuro é hoje, diz Obama para o brasileiros, é o momento de colher esse frutos, talvez esteja aí a frase mais profunda de significados para os brasileiros, especialmente os afrobrasileiros quando ele diz que é chegada a hora de compartilhar os frutos da nação. E talvez a frase mais desafiadora porque diante dessa colheita se coloca a reação conservadora e racista e este ainda é o maior desafio para uma democracia

http://globonews.globo.com/videos/v/obama-o-futuro-ja-chegou/1464712/


Fonte: GloboNews

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